sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Doce treva inacabada.

Ela tinha uma áurea obscura. Seus pensamentos pairavam assim que a penumbra interior amanhecia. O dia claro de nada adiantava porque dento de si ela era apenas tempestade. Era tempestade que não desandava, tormenta perpétua de um tempo em que nada mais parecia fazer sentido. Foi-se o brilho, extinguiam-se as vontades. E tudo ali dentro era uma névoa negra que se afundava em trevas. Os poços que ali perpetuavam secaram, seus oásis de esperança desapareceram.


Os fantasmas do passado ecoaram num grito ensurdecedor para enlouquecer pouco mais essa mente em que as vozes atormentavam todo o tempo. E um milésimo de segundo era suficiente para destroçar as poucas flores brejeiras que floresciam.


De nada adiantava juntar os cacos de esperança pois nada ali se reconstruiria.


A enrustida tempestade ganhou força e ecoou com seus ventos uivantes para fora da penumbra interminável. E foi então que fechou os olhos em súplica:


” Afasta de mim os ecos de quem já desistiu para que a tempestade se torne calmaria. Afasta de mim os maus fluidos de quem me rouba a paz e faz da tempestade furacão. Afasta os gritos que desmotivam e a raiva que alimenta a nuvem negra que paira sobre essa cabeça já tao obsoleta. Ameniza minha dor, mas ainda suplico: permaneça. Porque vem de ti os ventos que apontam a nova estação e as boas energias. Te quero sempre bem. Que os ventos de minha frequente tempestade não lhe carregue para longe. Assim seja.”





terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um brinde então,  aos corações vazios, aos copos cheios, às mentes atormentadas.Brindemos ao futuro incerto, à liberdade fajuta em que vivemos, à resignação com que aceitamos e principalmente, à nossa eterna ignorância em acreditar que a vida se constrói baseada em noites vertiginosas e dias pesados.
Um brinde às culpas, que assombram mas não impedem. Vá em frente, erga seu copo. Deixa que tudo isso inundará esse corpo e lhe dará a tao sonhada liberdade. Mas depois que ela se vai, meu bem, os dias pesados serão maiores e mais assustadores, mas pior que isso, serão solitários.
Que você não ouse trocar dias ensolarados por noites de mutua compaixão. Noites acabam ao fechar os olhos cansados. Os dias clareiam seus pecados, limitam as qualidades que pareciam tao grandiosas diante dos holofotes mentirosos e sedutores.
Que você abra seus olhos, enxergue o dia nascer e pense ' que o dia ilumine tudo o que há de bom'. E que então  sejas feliz...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Quantas vezes você não desejou o sorriso de alguém? Quantas vezes você não fechou os olhos apenas para sentir o calor de alguém que partiu? A verdade é que tenho essa sensação todos os dias.
Inevitavelmente, sentimentos mudam, acabam, se reorganizam e explodem. Creio que há um certo momento em que você deve selecionar o que deve permanecer e o que deve partir, carregando todas as mágoas.
E então, quando tirar todo o rancor, toda a dor, todo o sentimento de desconfiança, aí sim, poderá abrir as portas para sentimentos e pessoas novas. Renovação é a melhor sensação que se pode ter, depois da saudade saciada.
É por isso que eu desejo que você consiga saciar todas as saudades e curar todas as mágoas que ainda habitam essa mente transitória.
Desejo que deixe as pessoas saírem de sua vida, porque, acredite, todo mundo merece um descanso.
Eu desejo que você descanse de tudo o que te pesou, te traiu, te decepcionou.
Aí, quando perceber a cura repentina dessas feridas, procure alguém para remover as cicatrizes.
O melhor remédio para a mente doente é sem dúvida novos vícios.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Se tudo aquilo que marca, permanece, Marília de fato me marcou com brasa. Marcou para sempre. Mas não marcou sozinha.
Porque ela traz junto todos os mistérios de um par de olhos verdes que muita gente não consegue decifrar. Mistérios tantos que ela mesma não entende. Mas que trazem alegria por onde passam.
Jeito bobo, doçura escondida entre orgulho e medo.Vergonha. Porque Marília tem coração grande, e não de pedra.
Não se conhece por aí menina tão ingênua e dissimulada que descobre o que quer, quando quer, mas não entende o que fazer com a descoberta.
Tão mulher, tão aparentemente fria, mas não consegue lidar com a perda.
Ela não sabe perder. Ela vai atrás de tudo. E consegue.
É só olhar dentro desses olhos e se render aos pedidos dessa que aos olhos da maioria, não sabe o que faz. Vou contar uma coisa: ela sabe.

Ela não é do tipo de mulher que se entrega na primeira
Mas melhora na segunda e o paraíso é na terceira
Ela tem força, ela tem sensibilidade, ela é guerreira
Ela é uma deusa, ela é mulher de verdade
Ela é daquelas que tu gosta na primeira
Se apaixona na segunda e perde a linha na terceira...’

Se Charlie Brown Junior não escreveu essa música para ela, foi para alguém igual.
Tão durona por fora, nem aparenta ter esse coração mole, que dói, dói muito. Mas que ela prefere não sentir, e guarda. Guarda para quando sentir que deve usufruir de tanto amor.
Marília tem que ter dosagem.Pouco tempo junto dela não dá para descobrir tantas qualidades e tamanha simpatia. Muito tempo irrita. Irrita sim, fala demais, verdades demais.
E tem que ter peito para encarar essa sinceridade e frieza, que fazem tão bem.
Se eu pudesse dizer qualquer coisa para quem ainda insiste em se manter longe, é que ninguém sabe que pessoa enorme se esconde nesse tamanho de gente.
Marília não cabe nela. Marília encanta, não existe ser que não olhe por um instante e não se cative. Porque quando ela sorri, é porque sorri de verdade.
Por Deus, não quero nunca, nunca, que ela saia dessa minha vida tão nova e tão inexperiente. Eu ficaria sem chão, entraria em estranho desequilíbrio.
Eu preciso dela. Preciso dividir meus medos, tristezas, e principalmente, felicidade, porque se hoje sou feliz, é porque ela continua ali, me mandando ir em frente.
Queria, Deus, que eu fosse capaz de retribuir tanto carinho, tanta verdade, tanto jogo limpo.
Se hoje, seis anos depois de ter enxergado Marília pela primeira vez, eu continuo suplicando sua presença, é porque eu me habituei a tamanho carinho.
Preciso compartilhar muitos anos de histórias com essa que, com orgulho, eu posso e devo chamar de melhor amiga.
Melhores amigas duram uma vida.
‘Só os olhos se estrelavam, eles que sempre haviam faiscado de um brilho intenso, fascinante e um pouco diabólico. (...) Naquela época ela me ensinava como se conhecem as pessoas atrás das máscaras.’- CL.
E quero que  não saia da minha vida nunca.
HappyBday, bff!
Já diria Raul, que prefere ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Porque Amanda é assim, Amanda é 8 ou 80, ou ama ou odeia.
Amanda não se importa, diz na lata o que pensa e diz até o que não quis dizer. É rude, tem muralhas por todos os lados e são poucos os que conseguem enxergar dentre elas. Mas quem enxerga, meu amigo, se impressiona.
Porque por trás dessa cara de ruim, de poucos amigos, tem alguém que mais frágil e delicada, impossível.
Darci sempre diz, essa menina fala com os olhos. Não mente. Ela fala, grita, xinga, suplica. Por todas as coisas que nunca fala.
Quem conhece Amanda, quem permanece nessa vida tão contraditória e turbulenta consegue exercer ao mesmo tempo, amor e paciência.
Paciência, sim. Ela sabe. Paciência e bons ouvidos para agüentar as verdades duras, as paranóias inacabáveis. E muito amor, porque acho que doeria (e já doeu) em todos que estão à sua volta, ver uma lágrima escorrer nesse rosto sempre tão rude.
Amanda dá vontade de levar para casa, de por, como ela diz, em um potinho, para que ninguém roube, ninguém tire.
Eu sei, bem sei, foram várias as vezes que a vontade foi de voar nesse pescoço, chacoalhá-la e pedir por favor, acalme os ânimos.
Mas Amanda é um livro. Tem bagagem e muitas histórias. Você aprende, entende, cansa, ama, aceita.
Amanda é furacão. Tempestade. Vem, derruba tudo, destrói. E sempre conserta tudo com um sorriso no rosto.
Sorri, mesmo que com os olhos encharcados. Tais olhos que sempre traduzem sua  (des)aprovação perante atitudes dessas amigas que não chegam nem perto de certas.
Amanda pode ser tudo, menos traiçoeira. Ela avisa, deixa seu desamor à mostra. E esse caminhão de sentimentos, vêm junto, como ela diz, em suas âncoras, teus medos.
Que Deus faça com que essas âncoras pesem menos, amenize esses medos, fortaleça suas muralhas e selecione as pessoas certas para adentrá-las.
Feliz aniversário, gosto muito de você.

domingo, 31 de julho de 2011

Sempre considerei que pessoas sem meio termo são difíceis de lidar. E com razão. Eu, que sempre fui assim, cheia de altos e baixos e curtos e longos e tudo ao mesmo tempo, nunca aprendi a me suportar. Mas posso dizer, meios termos não fazem a diferença.
O que precisamos é de mais pessoas com a vontade de mudar o morno, o equilibrado.
Porque de desajustados e sem limites – com suas exceções - , mudam uma vida, escrevem histórias, fazem por merecer.
E é isso, minha mente está com em transe, bloqueou qualquer tipo de pensamento. Manteve apenas uma vontade. E é ela que anda me tirando o sono, a concentração.
Deus, é possível que ao mesmo tempo que medos e bloqueios possam me tirar isso que tanto pedi? Mas é sempre assim, pedimos, suplicamos, ficamos de joelho, e quando chega ali, em nossas mãos, abandonamos como o tal brinquedo velho na mao de uma criança.
E em meio a tantos brinquedos velhos, desejos saciados, vontades instantâneas, há sempre algo que te deixa preso, ancorado a um presente, até que você sinta vontade de ficar.
Aí, entao, o problema começa, e será irreversível.
Espero, do fundo do meu coração, que essa irreversibilidade tenha um resultado positivo. Caso o contrário, virará velharia, indesejada, entregada a qualquer um que passar, ‘toma, é seu, está quebrado, sujo, cheio de feridas, se quiser, leve meu coração também, ele se tornou parte das coisas quebradas, gastas, se não servir para você, pode jogar fora mesmo, eu só não quero mais me incomodar.’

domingo, 19 de junho de 2011

Bobeira é não viver a realidade.

Há dias que não consigo mais vomitar meus pensamentos por aqui.
É estranho, por onde anda aquele eu intenso, vivo, intolerante? Acho que foi embora junto com tantos outros 'eus' que habitavam em mim.
Sinto que já fui aos céus e desci ao inferno em meros segundos. E me perdi no caminho. E me machuquei também.
Mas um amigo de fim de semana disse que somos carentes, que corremos riscos na busca por esse aparente conforto. Confortos vivos, por sinal. Eles, que se não fossem tao vivos, talvez não ferissem, não teriam garras, e não as omitiria.
Durante um curto espaço de tempo, sei que afoguei metade dos meus sentimentos num copo roxo e ainda senti a utopia do esquecimento. Não se esquece. Não se vive apenas do agora. Não há como sobreviver sem um passado para poder chorar sem culpa.
Hoje sorrio sem culpa. Choro menos. Sinto menos. Na verdade, sinto melhor. E recomendo...
Não desperdice metade desse tempo precioso se importando com o fútil, o superficial, a inveja.
Ou a preocupação superficial... Não sei mais viver de jogos, mas ainda os reconheço.
E delete a palavra 'status' da vida. Depois conversaremos e você concordará comigo.
Agora,com licença... 'Siga onde vão meus pés, porque eu te sigo também..'

terça-feira, 24 de maio de 2011

É tão difícil escrever e deixar essa saudade de você subentendida. Dessa vez vou fazer diferente, vou expor claramente essa tormenta constante que é a falta de você, mãe.
Segundo aniversário teu com tua ausência... é um vazio tão intenso, consegue me entender? 
Mas vem cá, me deixa eu sentir o seu abraço, fica aqui comigo, teu calor me confortaria em todos esses tropeços. Seu riso seria meu abrigo, minha fortaleza. E sua força se transmitiria de uma maneira inexplicável que me faria entender todas essas dúvidas torturantes que coexistem com a saudade.
Tenho tanto pra te falar, porque você não aparece? queria tanto você nos meus sonhos para me sentir mais perto. Aproveita e traz nosso irmão, digo nosso porque desde que você se foi ele me cuidava como tal, até que foi também.
Imagina comigo, como seria se toda essa família esfarelada se reunisse? É que desde que você partiu os elos se romperam. A sensação de paz inexiste, desde que a terra sobre ti abafou meu choro. Mas não se importe, não pare seu caminho, continue por você, continue por mim, por todos que sentem essa mesma pontada nostálgica.
Posso me amarrar à você? Poderia até quem sabe agarrar uma de suas pernas e não deixar você ir. Se eu pudesse. Se a covardia da despedida não tivesse me repelido.
Você acredita em sinais? eu acredito. Eu pedi, por meio daquela fitinha, encontrada nas suas coisas, que você me avisasse a hora de partir. Você avisou. De súbito uma fita arrebentada e um telefonema que eu nunca esquecerei.
Sei que depois de morta tu não te tornas uma fada que pode destruir qualquer tipo de mal que se aproxima.Mas sei que por ser você, por ter se tornado um anjo, está comigo.
Não aprendi a te abraçar quando tu precisou, não aprendi a cuidar de você depois daquele acidente.Qualquer contato direto era sinônimo de tortura pra mim.
Hoje eu te peço desculpas. Desculpa por ter negado esse abraço que você não conseguia me dar. Me desculpe por falhar, por me afastar, por ter esse ego grande, inchado que não permitia alguma coisa além de desprezo. A última coisa a qual você precisaria passar era por isso. E mesmo assim, na minha ampla ignorância, o fiz.
É tarde para se arrepender, é tarde para correr aos teus braços e dizer a frase que eu disse uma vez enquanto você estava aqui. A frase que te libertou de tudo, que fez com que descansasse em paz.
Um ''eu te amo'' pode mudar uma vida, ou libertar outra.Percebe como além de tudo, foi você que me ensinou a importância dessas palavras?
Somos a prova viva, o exemplo digno de que orgulho e indiferença em benefício próprio machuca ambas.
Queria ser tudo o que você esperava que eu fosse. Mas não pude.
Agora, junto com essa carta e essas flores, sigo para te encontrar e sentir teu calor um pouco mais próximo.
Feliz aniversário, EU TE AMO.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

No vão das coisas que a gente disse...

Quem sabe se estivesse aqui minha loucura fosse perdoada. Quem sabe eu poderia abstraí-la. Quem sabe se ela estivesse ao meu lado, metade de meus erros seriam bem aproveitados. Quem sabe ao seu lado eu teria a certeza que não precisaria culpar outras pessoas pela minha má vontade. Talvez eu tivesse boa vontade.
Talvez me levasse a qualquer lugar, seria meu abrigo, seria um alicerce constante, e não esta eterna viga bamba.Talvez quando eu chegasse em casa aos tropeços, me endireitaria e me colocasse para dormir. Ou dormiria comigo. Eu teria um beijo de boa noite desprezado por vários de vocês que julgam ser ‘’amor demais’’.
Ah, quem dera esse exagero de amor fosse para mim.
Quem sabe se o tivesse não o valorizaria. Pode ser que sim.
São vários os ‘quem sabe’, ‘e se’, ‘talvez’, que aparecem desde quando tudo aconteceu. Nada ocorreu como eu quis, nada do que eu quis permaneceu. Doce ilusão de que um dia você pode reaparecer. Te encontro sem meus pés no chão, me sinto perto de ti quando vou lá, onde consigo lembranças para me reconfortar. Queria ouvir tua voz, sentir teu cheiro para me sentir segura.
Chega aqui, chega mais perto. Ah não, espera. Há um vão sobre nós, um vácuo impenetrável. Malditas perdições, caminhos que não se cruzam, destinos limitados.
Destino que talvez não fosse tão óbvio, mas se dissipou na indiferença.
Tu morreu por mim, e agora todas as frases vagas que escrevo são para ti.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

É complicado, é difícil não sentir saudade, é impossível não sentir o calor do abraço mesmo com a ausência do real. Não sei manter o foco, não me peça para seguir uma linha de raciocínio. Me peça explicações e veja uma mulher enfurecida pela própria incapacidade de repetir os fatos.
Não tolero a possibilidade de repetir acontecimentos. Basicamente porque são meus, nao desejo compartilhá-los. Sentimentos são meus por direito. ''É por sentir demais que tudo lhe transpassa''-disse o velho amigo que pensa estar no comando de seus atos. Não está.
O que comanda cada parte do meu corpo, tudo o que me leva a saciar desejos e loucuras, é o instinto. Instinto de que a felicidade está ali, logo ali, depois que o vento muda a direção e deixa o cheiro daquele perfume.
Aprenda: não importa quantas vezes avisem, controlem, impeçam. O cheiro da felicidade infesta cada célula desse corpo e me proporciona a coragem para conseguir o que quiser.
Cá estou eu terminando mais um texto sem seguir o clichê moderno chamado coerência.
Não espere que eu seja coerente. Traços retos nunca foram meu forte.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E hoje, para variar, chorei feito criança. Mas diferente de outras vezes, a barreira que criei entre meus desejos e a realidade me fez mais forte.
Não está escrito, Deus nunca disse que essa vida seria fácil, e realmente nunca foi.
É porque hoje ele não está mais aqui, mas deveria. Se foi como a brisa passageira que não traz nada além de desordem. Deveria permanecer, mas se foi quando eu mais precisei.
Chorei feito criança, afinal, eu ainda precisava do caminho certo, e de que alguém o mostrasse à mim. Ah, mas foi há tempos...
E ainda dói. Dói como a cicatriz antes da chuva. Aperta o peito e me resigna a nada.
Estou aprisionada ao vácuo, e a dor ultrapassou a barreira que me distancia do mundo lá fora.
Mas hoje? Hoje seria um daqueles dias em que eu o abraçaria, acariciaria seu rosto pálido e fragilizado como sempre fiz, e ele, lá de cima, me jogaria os doces para que eu me distraísse .
Ingênua.
Só precisava de uns minutos a mais, pra dizer que eu o amava com toda as forças. A sua ida me deixou insana, queimou cada neurônio sem piedade.
Whatever, eu tentei. Mudei, lutei. Mas veja só como me encontrei hoje, derramando mais lágrimas em lugares inapropriados e despertando pena de gente que não conhece a fundo essa dor que me sufoca.
Desculpe a informalidade, mas dor não é algo que possa ser introduzido nessa coisa culta e sociável chamada normalidade.
Aliás, não quero que me desculpem. Não lhes devo nada.
Deus, eu trocaria o maldito dom de por em palavras meu lado mais sensível apenas para tê-lo comigo. Abriria mão daquilo que aparentemente conforma. Quero a tormenta, a loucura, quero vê-lo comigo, quero acariciá-lo como a criança que ele descobriu em mim.
Maldita vida que tem data certa para se ausentar. Maldita vida que leva e trás pessoas e sentimentos repentinamente, não traz aviso prévio e nem mesmo uma carcaça de concreto para que possamos nos proteger.
E aqui me encontro, eternizada criança em cada lágrima que derramo. Novamente... 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escrevo sobre esse silêncio porque não há nada mais que eu queira do que exaltar esse lado obscuro que ele representa.
Logo, é diante do mesmo que as palavras jorram sobre o papel e pequenos devaneios tomam forma.
Mas escrevo, principalmente,porque essa arte são meus restos aprisionados, uma mente entulhada de sentimentos.
 Então, dou aos meus escassos leitores o lixo de que quero me livrar.Esse breve descarrego consegue preencher  alguém.
Tal silêncio é perturbador, é constante, traz o que há de pior, me lembra das feridas.
E posso afirmar que o silêncio me joga na cara todos esses erros de que tento me livrar.
São nesses momentos que pequenas coisas se tornam menores ainda.E é aí que me pergunto,porque essa normalidade se afasta de mim cada vez mais?
Mas também, que mais sou senão extremos eternamente em conflitos?Busco então, no silêncio das palavras, uma resposta plausível.

Una estes laços de vidas que estão em suas mãos e se pergunte...: quantos e quais irão resistir por toda sua vida? Quais deles estão tão bem apertados que nada do que se faça é capaz de desfazê-los? Quantos estão velhos e sujos, mas da mesma forma você não pode tocá-los?
Há laços que se arrebentam facilmente. São formados por amizades mal cultivadas, cheias de más intenções.
São os fios que unem amores incompletos, doloridos, mal vividos, que corroem parte desse curto espaço de tempo que vivemos. Vida limitada, cheia de entranhas, veredas, labirintos.
Há laços que constroem nós que não se desfazem. Eles se eternizam, é família, são amigos. São aqueles que permanecem, por mais que já tenham partido, fazendo com que se confunda o passado inesquecível com o presente que ainda não foi vivido.
Existem laços sujos e velhos. São erros cometidos, são passos incertos. É um novelo eivado de equívocos que se junta a frágeis fitas que aparentam ser fortes. E tão quão fortes aparentam ser, fracas são. Arrebentam-se, mas não se perdem. Tornam-se resquícios pendurados que perduram em meio a essa velharia toda.

domingo, 27 de março de 2011

Corações quebrados, almas destroçadas e cacos de vidro por toda a parte.
Meu silêncio que antes calava agora grita por um segundo de vida REAL. Estou clamando por pessoas de verdade, não por superficialidades descartáveis ou frágeis como o vidro estilhaçado que restou.
Minha cota para parasitas chegou ao limite, a linha tênue entre amizade e interesse desapareceu.
Já dizia o bom e velho Raul, 'Tem gente que está do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá'. E não, meus amigos, o lado de cá não são flores, amores, não há música e muito menos uma vida bonita. O lado de cá é obscuro, é regado a desilusões, mas é real.
Sobrevivem os que estão com os dois pés muito bem fincados no chão, de espinha ereta, e com o exército armado. A vida por aqui é uma eterna batalha, a vida aqui não é fácil.
Bem vindo à esse inferno particular. Mas não vou lhe convidar a adentrá-lo.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Essa semana recebi resposta de uma escritora que admiro muito, e ela me disse umas palavras, poucas, mas que fizeram o maior sentido. Ela me pediu para exercitar o que eu sei fazer de melhor, o que eu gosto de fazer. Minha paixão desde criança é o lápis e o papel. Escrever é obter o mundo nas suas mãos, fazer o que bem entender dele, abstrair a loucura em palavras. E é isso que faço todo dia, abstraio essas ideias tolas e compartilho parte da minha loucura com quem as lê. E se sente insensato como eu. De perto ninguém é normal, não é mesmo? 

sábado, 22 de janeiro de 2011

Quando um sonho foi quebrado e Deus tirou o telefone do gancho, tu pensa que nao tem mais o que fazer.Mas nao brigue com Ele,nao guarde mágoa, nao se sinta frágil.Você é forte, Deus nao nos dá nada a mais do que podemos suportar.Sao provas de fogo que sempre vao aparecer e sempre tu vai tirar de letra.Uma porta se fechou, mas duas janelas se abriram.E lembra sempre que duas janelas trazem mais refresco comparada à uma porta entreaberta.Poe um sorriso no rosto,resgate a ternura que tu tem aí dentro,e contagie a todos, como sempre fez. Deixe a fraqueza chegar apenas para seu reflexo ver. O mundo pensa que você é fortaleza, e tu acaba acreditando.
Enquanto a mágoa permanecer,ela vai te levar até o fundo,e vai querer lhe enterrar junto com as memórias.Mas quando isso passar, a felicidade se abrange e as coisas dao certo, basta acreditar que tudo que vem até nós, vem por um motivo maior.


Escrevi para uma amiga, esses dias.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Let it be

Quando te dói olhar para frente, quando o aperto e o vazio tomam lugar da mansidão. É aí que nem reza brava, amigos ou qualquer coisa vai adiantar. A única coisa a ser feita é esperar. O sentimento se foi, com ela. Ultimo suspiro, ultimo adeus, e não, nem disso foi capaz.
Inerte, fria , incapaz. Foi ali que começava, então, a fugir de tudo, a perceber a frieza do mundo e construir suas muralhas.
Sobre um suposto alicerce, segue subindo cada vez mais, buscando no prazer da distância um isolamento.
Não se aproxime, não tente arrancá-la dali. Dói, tira pedaço, diminui sua capacidade de subir.
E ela não quer ficar parada aqui, ela quer um lugar lá perto dela. Onde consegue o que nunca buscou, mas que no fundo é o maior desejo.
Acho que é pedir muito, um pouco de paz. Menos mentiras, menos decepções e insistências. A distância alimenta o vazio, e uma boa solidão pode até ser mais benéfica do que uma companhia que lhe traz felicidade, e inesperadamente lhe arranca tudo.
Não é bom estar no vazio, ela sabe.
Mas continua se distanciando do chão. Assim seja.