segunda-feira, 25 de abril de 2011

É complicado, é difícil não sentir saudade, é impossível não sentir o calor do abraço mesmo com a ausência do real. Não sei manter o foco, não me peça para seguir uma linha de raciocínio. Me peça explicações e veja uma mulher enfurecida pela própria incapacidade de repetir os fatos.
Não tolero a possibilidade de repetir acontecimentos. Basicamente porque são meus, nao desejo compartilhá-los. Sentimentos são meus por direito. ''É por sentir demais que tudo lhe transpassa''-disse o velho amigo que pensa estar no comando de seus atos. Não está.
O que comanda cada parte do meu corpo, tudo o que me leva a saciar desejos e loucuras, é o instinto. Instinto de que a felicidade está ali, logo ali, depois que o vento muda a direção e deixa o cheiro daquele perfume.
Aprenda: não importa quantas vezes avisem, controlem, impeçam. O cheiro da felicidade infesta cada célula desse corpo e me proporciona a coragem para conseguir o que quiser.
Cá estou eu terminando mais um texto sem seguir o clichê moderno chamado coerência.
Não espere que eu seja coerente. Traços retos nunca foram meu forte.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E hoje, para variar, chorei feito criança. Mas diferente de outras vezes, a barreira que criei entre meus desejos e a realidade me fez mais forte.
Não está escrito, Deus nunca disse que essa vida seria fácil, e realmente nunca foi.
É porque hoje ele não está mais aqui, mas deveria. Se foi como a brisa passageira que não traz nada além de desordem. Deveria permanecer, mas se foi quando eu mais precisei.
Chorei feito criança, afinal, eu ainda precisava do caminho certo, e de que alguém o mostrasse à mim. Ah, mas foi há tempos...
E ainda dói. Dói como a cicatriz antes da chuva. Aperta o peito e me resigna a nada.
Estou aprisionada ao vácuo, e a dor ultrapassou a barreira que me distancia do mundo lá fora.
Mas hoje? Hoje seria um daqueles dias em que eu o abraçaria, acariciaria seu rosto pálido e fragilizado como sempre fiz, e ele, lá de cima, me jogaria os doces para que eu me distraísse .
Ingênua.
Só precisava de uns minutos a mais, pra dizer que eu o amava com toda as forças. A sua ida me deixou insana, queimou cada neurônio sem piedade.
Whatever, eu tentei. Mudei, lutei. Mas veja só como me encontrei hoje, derramando mais lágrimas em lugares inapropriados e despertando pena de gente que não conhece a fundo essa dor que me sufoca.
Desculpe a informalidade, mas dor não é algo que possa ser introduzido nessa coisa culta e sociável chamada normalidade.
Aliás, não quero que me desculpem. Não lhes devo nada.
Deus, eu trocaria o maldito dom de por em palavras meu lado mais sensível apenas para tê-lo comigo. Abriria mão daquilo que aparentemente conforma. Quero a tormenta, a loucura, quero vê-lo comigo, quero acariciá-lo como a criança que ele descobriu em mim.
Maldita vida que tem data certa para se ausentar. Maldita vida que leva e trás pessoas e sentimentos repentinamente, não traz aviso prévio e nem mesmo uma carcaça de concreto para que possamos nos proteger.
E aqui me encontro, eternizada criança em cada lágrima que derramo. Novamente... 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escrevo sobre esse silêncio porque não há nada mais que eu queira do que exaltar esse lado obscuro que ele representa.
Logo, é diante do mesmo que as palavras jorram sobre o papel e pequenos devaneios tomam forma.
Mas escrevo, principalmente,porque essa arte são meus restos aprisionados, uma mente entulhada de sentimentos.
 Então, dou aos meus escassos leitores o lixo de que quero me livrar.Esse breve descarrego consegue preencher  alguém.
Tal silêncio é perturbador, é constante, traz o que há de pior, me lembra das feridas.
E posso afirmar que o silêncio me joga na cara todos esses erros de que tento me livrar.
São nesses momentos que pequenas coisas se tornam menores ainda.E é aí que me pergunto,porque essa normalidade se afasta de mim cada vez mais?
Mas também, que mais sou senão extremos eternamente em conflitos?Busco então, no silêncio das palavras, uma resposta plausível.

Una estes laços de vidas que estão em suas mãos e se pergunte...: quantos e quais irão resistir por toda sua vida? Quais deles estão tão bem apertados que nada do que se faça é capaz de desfazê-los? Quantos estão velhos e sujos, mas da mesma forma você não pode tocá-los?
Há laços que se arrebentam facilmente. São formados por amizades mal cultivadas, cheias de más intenções.
São os fios que unem amores incompletos, doloridos, mal vividos, que corroem parte desse curto espaço de tempo que vivemos. Vida limitada, cheia de entranhas, veredas, labirintos.
Há laços que constroem nós que não se desfazem. Eles se eternizam, é família, são amigos. São aqueles que permanecem, por mais que já tenham partido, fazendo com que se confunda o passado inesquecível com o presente que ainda não foi vivido.
Existem laços sujos e velhos. São erros cometidos, são passos incertos. É um novelo eivado de equívocos que se junta a frágeis fitas que aparentam ser fortes. E tão quão fortes aparentam ser, fracas são. Arrebentam-se, mas não se perdem. Tornam-se resquícios pendurados que perduram em meio a essa velharia toda.