Ela tinha uma áurea obscura. Seus pensamentos pairavam assim que a penumbra interior amanhecia. O dia claro de nada adiantava porque dento de si ela era apenas tempestade. Era tempestade que não desandava, tormenta perpétua de um tempo em que nada mais parecia fazer sentido. Foi-se o brilho, extinguiam-se as vontades. E tudo ali dentro era uma névoa negra que se afundava em trevas. Os poços que ali perpetuavam secaram, seus oásis de esperança desapareceram.
Os fantasmas do passado ecoaram num grito ensurdecedor para enlouquecer pouco mais essa mente em que as vozes atormentavam todo o tempo. E um milésimo de segundo era suficiente para destroçar as poucas flores brejeiras que floresciam.
De nada adiantava juntar os cacos de esperança pois nada ali se reconstruiria.
A enrustida tempestade ganhou força e ecoou com seus ventos uivantes para fora da penumbra interminável. E foi então que fechou os olhos em súplica:
” Afasta de mim os ecos de quem já desistiu para que a tempestade se torne calmaria. Afasta de mim os maus fluidos de quem me rouba a paz e faz da tempestade furacão. Afasta os gritos que desmotivam e a raiva que alimenta a nuvem negra que paira sobre essa cabeça já tao obsoleta. Ameniza minha dor, mas ainda suplico: permaneça. Porque vem de ti os ventos que apontam a nova estação e as boas energias. Te quero sempre bem. Que os ventos de minha frequente tempestade não lhe carregue para longe. Assim seja.”