terça-feira, 24 de maio de 2011

É tão difícil escrever e deixar essa saudade de você subentendida. Dessa vez vou fazer diferente, vou expor claramente essa tormenta constante que é a falta de você, mãe.
Segundo aniversário teu com tua ausência... é um vazio tão intenso, consegue me entender? 
Mas vem cá, me deixa eu sentir o seu abraço, fica aqui comigo, teu calor me confortaria em todos esses tropeços. Seu riso seria meu abrigo, minha fortaleza. E sua força se transmitiria de uma maneira inexplicável que me faria entender todas essas dúvidas torturantes que coexistem com a saudade.
Tenho tanto pra te falar, porque você não aparece? queria tanto você nos meus sonhos para me sentir mais perto. Aproveita e traz nosso irmão, digo nosso porque desde que você se foi ele me cuidava como tal, até que foi também.
Imagina comigo, como seria se toda essa família esfarelada se reunisse? É que desde que você partiu os elos se romperam. A sensação de paz inexiste, desde que a terra sobre ti abafou meu choro. Mas não se importe, não pare seu caminho, continue por você, continue por mim, por todos que sentem essa mesma pontada nostálgica.
Posso me amarrar à você? Poderia até quem sabe agarrar uma de suas pernas e não deixar você ir. Se eu pudesse. Se a covardia da despedida não tivesse me repelido.
Você acredita em sinais? eu acredito. Eu pedi, por meio daquela fitinha, encontrada nas suas coisas, que você me avisasse a hora de partir. Você avisou. De súbito uma fita arrebentada e um telefonema que eu nunca esquecerei.
Sei que depois de morta tu não te tornas uma fada que pode destruir qualquer tipo de mal que se aproxima.Mas sei que por ser você, por ter se tornado um anjo, está comigo.
Não aprendi a te abraçar quando tu precisou, não aprendi a cuidar de você depois daquele acidente.Qualquer contato direto era sinônimo de tortura pra mim.
Hoje eu te peço desculpas. Desculpa por ter negado esse abraço que você não conseguia me dar. Me desculpe por falhar, por me afastar, por ter esse ego grande, inchado que não permitia alguma coisa além de desprezo. A última coisa a qual você precisaria passar era por isso. E mesmo assim, na minha ampla ignorância, o fiz.
É tarde para se arrepender, é tarde para correr aos teus braços e dizer a frase que eu disse uma vez enquanto você estava aqui. A frase que te libertou de tudo, que fez com que descansasse em paz.
Um ''eu te amo'' pode mudar uma vida, ou libertar outra.Percebe como além de tudo, foi você que me ensinou a importância dessas palavras?
Somos a prova viva, o exemplo digno de que orgulho e indiferença em benefício próprio machuca ambas.
Queria ser tudo o que você esperava que eu fosse. Mas não pude.
Agora, junto com essa carta e essas flores, sigo para te encontrar e sentir teu calor um pouco mais próximo.
Feliz aniversário, EU TE AMO.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

No vão das coisas que a gente disse...

Quem sabe se estivesse aqui minha loucura fosse perdoada. Quem sabe eu poderia abstraí-la. Quem sabe se ela estivesse ao meu lado, metade de meus erros seriam bem aproveitados. Quem sabe ao seu lado eu teria a certeza que não precisaria culpar outras pessoas pela minha má vontade. Talvez eu tivesse boa vontade.
Talvez me levasse a qualquer lugar, seria meu abrigo, seria um alicerce constante, e não esta eterna viga bamba.Talvez quando eu chegasse em casa aos tropeços, me endireitaria e me colocasse para dormir. Ou dormiria comigo. Eu teria um beijo de boa noite desprezado por vários de vocês que julgam ser ‘’amor demais’’.
Ah, quem dera esse exagero de amor fosse para mim.
Quem sabe se o tivesse não o valorizaria. Pode ser que sim.
São vários os ‘quem sabe’, ‘e se’, ‘talvez’, que aparecem desde quando tudo aconteceu. Nada ocorreu como eu quis, nada do que eu quis permaneceu. Doce ilusão de que um dia você pode reaparecer. Te encontro sem meus pés no chão, me sinto perto de ti quando vou lá, onde consigo lembranças para me reconfortar. Queria ouvir tua voz, sentir teu cheiro para me sentir segura.
Chega aqui, chega mais perto. Ah não, espera. Há um vão sobre nós, um vácuo impenetrável. Malditas perdições, caminhos que não se cruzam, destinos limitados.
Destino que talvez não fosse tão óbvio, mas se dissipou na indiferença.
Tu morreu por mim, e agora todas as frases vagas que escrevo são para ti.